PUERPÉRIO

Geralmente atribuem entre 5 e 6 semanas de puerpério para as mães. Porém, considerar que o estado geral da mulher volte às condições anteriores à gestação em tão pouco tempo nos parece completamente irreal. Existe o tempo de entender as mudanças mais óbvias, as necessidades do recém-nascido, mas depois a volta ao trabalho, as demandas sociais, as adaptações emocionais. Um período entre 2 e 3 anos nos parece mais realista. Esse trabalho é sobre nossa experiência dentro desse período. Dançamos e falamos sobre nosso puerpério no momento em que o experimentamos. Estamos exaustas, felizes, tristes, descontentes com nossos corpos, com vontade de voltar a ser nós mesmas, e de nunca voltar, ser mãe, mulher, trabalhar, ser forte, frágil, sexy, pedir ajuda, enfrentar o mundo. Somos paradoxos e quebra de paradigmas. Somos tabu. Importantes, simples, carentes, provedoras. Somos tudo. Estamos acabadas. Juramos que estamos felizes, juramos que estamos tristes. Prazeres, amores, dificuldades, êxtases, depressões, remédios, leite, fórmula, gêmeos, lindos, exaustivos, maravilhosos, monstros, dependentes, independentes. Somos.

Flávia Scheye, Ilana Elkis e Michelle Farias

Puerpério é um trabalho que mistura depoimentos em dança e teatro de três mães que atravessam e são atravessadas por esse período.

A proposta cênica, o cuidado dramatúrgico, as estratégias improvisatórias, são da direção. A direção é de Diogo Granato, que só experimentou o puerpério como parceiro, e portanto, não teria como definir os assuntos, as danças, os textos.